domingo, 16 de junho de 2013

CONTRIBUIÇÕES LINGUÍSTICAS – DOS ESTUDOS SAUSSURIANOS AOS ESTUDOS MODERNOS

CONTRIBUIÇÕES LINGUÍSTICAS – DOS ESTUDOS SAUSSURIANOS AOS ESTUDOS MODERNOS


SILVA, Francisco. www.e-revista.unioeste.br/travessias. Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Revista Travessias, ano 2008, volume 02, Nº 02.

Sandra Sousa, Acadêmica de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso/ UNEMAT – Campus Sinop. 1º semestre/2013.

                   O autor Francisco Borges da Silva nesse artigo conduz uma análise dos estudos pré-saussurianos ao Estruturalismo de Ferdinand de Saussure a partir das primeiras décadas do século XX quando se abaliza a Linguística como ciência, e faz uma reflexão ainda sobre o gerativismo e as linguísticas textuais.
                   Antes de assinalar a cientificidade da Linguística tem-se o movimento dos neogramáticos na Alemanha com a classificação das línguas, sua evolução e aspectos fonológicos, morfológicos e léxicos o que já traduzia em alguma precisão e ciência à Linguística.
                   No século XIX tem-se o precursor do estruturalismo saussuriano na pessoa do alemão Humbolt, que considerava a língua uma atividade e não um ato. Para ele a língua era composta de duas formas: externa através dos sons e interna através dos sentidos peculiares de cada língua.
                   Voltando um pouco mais no tempo o autor cita o primeiro texto de linguística conhecido: a gramática sânscrita de Panini – a língua como fim religioso – datada do século IV a.C. Já no século XVIII ao se comparar as línguas sânscritas com o grego e o latim e outras línguas nota-se uma similaridade entre elas estabelecendo-se os alicerces da gramática comparada, sendo o próximo passo uma certa cientificidade nos trabalhos do alemão Jacob Grimm com as correspondências fonéticas comparativas entre as consoantes do latim, grego sânscrito e indo-europeu conhecido como “lei de Grimm”.
                   Com a evolução dos modos comparativos da linguística, a partir do século XX o autor do artigo destaca que o estudos da linguística deixam de lado o aspecto histórico da língua – diacrônico –  e lança maior destaque ao seu aspecto sociocultural – sincrônico. Citando Faraco o autor referencia o conceito do estruturalismo de Ferdinand Saussure: “Saussure realizou um grande corte nos estudos linguísticos. Suas concepções deram as condições efetivas para se construir uma ciência sincrônica da linguagem. A partir do seu projeto não houve mais razões para não se construir uma ciência autônoma a tratar exclusivamente em si mesma e por si mesma, e sob o pressuposto da separação estreita entre a perspectiva histórica e a não histórica.”
                   Privilegiando primordialmente o conceito sincrônico da linguística, o suíço Ferdinand Saussure, considerado o pai do estruturalismo europeu, elabora a dicotomia: diacronia x sincronia; significante x significado; paradigma x sintagma e; língua x fala. A partir daí dá-se um novo significado ao termo signo linguístico: conceito e imagem acústica.
De acordo com Saussure o signo linguístico “une não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica.” A partir desses estudos, a língua passou a ser abordada sob dois aspectos: identidades e diferenças, ou seja, a língua é possuidora em si de uma identidade e de diferenças. Portanto para o fundador do estruturalismo o conceito fundamental e básico dos estudos da linguagem é o sistema e a estrutura.
                   Já para a abordagem gerativista, Chomsky (considerado o pai do gerativismo) aborda os estudos sincrônicos e diacrônicos ao mesmo tempo. Seu método de investigação era o principio socrático da dedução – do geral para o particular amparado pela gramática comparativista. Sob esse ponto de vista a língua também é um conjunto sistêmico e está dividida em competência, cognitivismo e desempenho.
                   Na segunda metade do século XX passou-se a considerar a linguagem em uso, em funcionamento. A linguística passa ser a do discurso, sendo os usuários, a sociedade e a cultura componentes da linguística textual. No artigo o autor declara que desde o gerativismo a parole – o discurso em si – ampliou seus estudos dando inicio a Linguística Textual (do Discurso, da Enunciação). É constituída a partir das heranças deixadas pelas hipóteses estruturalistas, semiótica literária, semiologia, linguística textual clássica integralizada em novas questões, e as produções verbais.
                   Citando um recorte do texto aqui analisado parafraseando Saussure, ao analisar criticamente esse estudo fica claro que “a fala, ao contrário da língua é algo puramente individual, são as ambições pelas quais o falante realiza o código da língua no propósito de exprimir seu pensamento pessoal...”. Desde os primórdios quando o ser humano, através da imitação dos sons da natureza iniciou-se ao processo da fala evoluindo para os signos e seus complexos estudos linguísticos, observa-se que as indagações com respeito à origem, a forma e o poder das palavras ainda terão vastas áreas para pesquisas e indagações, sendo as análises teóricas das várias concepções do estudo da Linguística significativas na construção desses novos conceitos linguísticos, não fugindo, entretanto, da máxima saussuriana de que o objetivo seja sempre o de exprimir o pensamento pessoal.


Sousa, Sandra. 16/06/2013.

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