CONTRIBUIÇÕES LINGUÍSTICAS – DOS ESTUDOS
SAUSSURIANOS AOS ESTUDOS MODERNOS
SILVA, Francisco.
www.e-revista.unioeste.br/travessias. Universidade Estadual do Oeste do Paraná,
Revista Travessias, ano 2008, volume 02, Nº 02.
Sandra Sousa,
Acadêmica de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso/ UNEMAT – Campus
Sinop. 1º semestre/2013.
O autor Francisco Borges da Silva nesse artigo conduz uma análise dos
estudos pré-saussurianos ao Estruturalismo de Ferdinand de Saussure a partir das
primeiras décadas do século XX quando se abaliza a Linguística como ciência, e
faz uma reflexão ainda sobre o gerativismo e as linguísticas textuais.
Antes de assinalar a
cientificidade da Linguística tem-se o movimento dos neogramáticos na Alemanha
com a classificação das línguas, sua evolução e aspectos fonológicos, morfológicos
e léxicos o que já traduzia em alguma precisão e ciência à Linguística.
No século XIX tem-se o
precursor do estruturalismo saussuriano na pessoa do alemão Humbolt, que
considerava a língua uma atividade e não um ato. Para ele a língua era composta
de duas formas: externa através dos sons e interna através dos sentidos
peculiares de cada língua.
Voltando um pouco mais no
tempo o autor cita o primeiro texto de linguística conhecido: a gramática sânscrita
de Panini – a língua como fim religioso – datada do século IV a.C. Já no século
XVIII ao se comparar as línguas sânscritas com o grego e o latim e outras línguas
nota-se uma similaridade entre elas estabelecendo-se os alicerces da gramática comparada,
sendo o próximo passo uma certa cientificidade nos trabalhos do alemão Jacob
Grimm com as correspondências fonéticas comparativas entre as consoantes do
latim, grego sânscrito e indo-europeu conhecido como “lei de Grimm”.
Com a evolução dos modos
comparativos da linguística, a partir do século XX o autor do artigo destaca
que o estudos da linguística deixam de lado o aspecto histórico da língua – diacrônico
– e lança maior destaque ao seu aspecto
sociocultural – sincrônico. Citando Faraco o autor referencia o conceito do
estruturalismo de Ferdinand Saussure: “Saussure
realizou um grande corte nos estudos linguísticos. Suas concepções deram as
condições efetivas para se construir uma ciência sincrônica da linguagem. A partir
do seu projeto não houve mais razões para não se construir uma ciência autônoma
a tratar exclusivamente em si mesma e por si mesma, e sob o pressuposto da
separação estreita entre a perspectiva histórica e a não histórica.”
Privilegiando primordialmente
o conceito sincrônico da linguística, o suíço Ferdinand Saussure, considerado o
pai do estruturalismo europeu, elabora a dicotomia: diacronia x sincronia;
significante x significado; paradigma x sintagma e; língua x fala. A partir daí
dá-se um novo significado ao termo signo linguístico: conceito e imagem acústica.
De
acordo com Saussure o signo linguístico “une
não uma coisa e uma palavra, mas um conceito e uma imagem acústica.” A partir
desses estudos, a língua passou a ser abordada sob dois aspectos: identidades e
diferenças, ou seja, a língua é possuidora em si de uma identidade e de
diferenças. Portanto para o fundador do estruturalismo o conceito fundamental e
básico dos estudos da linguagem é o sistema e a estrutura.
Já para a abordagem
gerativista, Chomsky (considerado o pai do gerativismo) aborda os estudos sincrônicos
e diacrônicos ao mesmo tempo. Seu método de investigação era o principio
socrático da dedução – do geral para o particular amparado pela gramática comparativista.
Sob esse ponto de vista a língua também é um conjunto sistêmico e está dividida
em competência, cognitivismo e desempenho.
Na segunda metade do século
XX passou-se a considerar a linguagem em uso, em funcionamento. A linguística
passa ser a do discurso, sendo os usuários, a sociedade e a cultura componentes
da linguística textual. No artigo o autor declara que desde o gerativismo a
parole – o discurso em si – ampliou seus estudos dando inicio a Linguística
Textual (do Discurso, da Enunciação). É constituída a partir das heranças
deixadas pelas hipóteses estruturalistas, semiótica literária, semiologia,
linguística textual clássica integralizada em novas questões, e as produções
verbais.
Citando um recorte do texto
aqui analisado parafraseando Saussure, ao analisar criticamente esse estudo
fica claro que “a fala, ao contrário da
língua é algo puramente individual, são as ambições pelas quais o falante
realiza o código da língua no propósito de exprimir seu pensamento pessoal...”.
Desde os primórdios quando o ser humano, através da imitação dos sons da
natureza iniciou-se ao processo da fala evoluindo para os signos e seus
complexos estudos linguísticos, observa-se que as indagações com respeito à
origem, a forma e o poder das palavras ainda terão vastas áreas para pesquisas
e indagações, sendo as análises teóricas das várias concepções do estudo da Linguística
significativas na construção desses novos conceitos linguísticos, não fugindo,
entretanto, da máxima saussuriana de que o objetivo seja sempre o de exprimir o
pensamento pessoal.
Sousa,
Sandra. 16/06/2013.
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