CÂNDIDO, Antônio.
LITERATURA E SOCIEDADE. Capítulo I: Crítica e Sociologia. Editora Ouro sobre
Azul, 9ª Edição, 2006. RJ.
Sandra Sousa, Acadêmica
de Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso/ UNEMAT – Campus Sinop. 1º
semestre/2013.
O autor Antônio Cândido em
seu livro Literatura e Sociedade, cap.
1 Crítica e Sociologia, propõe uma análise
da relação entre a obra literária e seu condicionamento social e a relação
entre a obra literária e a valorização estética. Para isso, faz uma dissociação
dessa análise em duas vertentes disciplinares: uma enquanto sociologia da
literatura analisa as complexidades relativa as representações do fator social
na literatura, a outra enquanto crítica literária analisa a obra com o objetivo
de averiguar se o fator social fornece apenas dados para sua realização ou se atua efetivamente
na constituição de seu valor estético.
Citando Goethe, o autor nos
leva a acreditar que os fatores sociais são agentes estruturais na criação de
uma obra e estão efetivamente interligados com seu valor estético, não como
enquadramento da obra dentro de uma determinada época, mas como fator da
própria construção artística que assimila tal dimensão social introduzindo-a na
sua construção literária.
Exemplificando a relação
entre a construção sociológica literária e sua representatividade estética, o
autor cita o romance Senhora de José
de Alencar. Ele diz: “O livro possui
certas dimensões sociais evidentes, cuja indicação faz parte de qualquer
estudo, histórico ou crítico: referência a lugares, modos...”. Neste nível
de análise faz-se valer o argumento de Fausto de Macrocosmos conforme cita o
autor: “como tudo tece no todo, cada um
nas outras obras e vidas!”.
Seguido esta ordem de ideias,
o texto mostra que a análise de uma obra para ser completa deixará de se ater
apenas à parte sociológica, psicológica ou linguística para ser analisada
também em seu aspecto estrutural e funcional.
Por outro lado, o autor
mostra o perigo de, tanto na análise sociológica quanto na análise crítica, se
obliterar a verdade básica de uma obra tendo também a preocupação de não
exaltar os elementos internos de uma obra em detrimento de seus aspectos históricos, essencial para a
compreensão dos seus sentidos.
No texto, o autor enumera as
modalidades mais comuns das análises sociológicas da literatura. Ele cita
primeiramente o método tradicional de correlacionar o conjunto de uma obra com
as condições sociais. Em segundo lugar, está o método de analisar o quanto de
uma obra se espelha na sociedade, se baseia em seus aspectos reais e sociológicos.
Em terceiro e o mais coerente segundo Antônio Cândido, consiste na correlação
entre a obra e o público – sua aceitação. Ainda dentro dos estudos sociológicos
o quarto método consiste na análise da função social do autor, procurando
relacionar sua produção e posição com a organização da sociedade. Em um quinto
método o texto nos fala da investigação e função política das obras e seus
autores. Em sexto e último método, observa-se a análise sociológica da
literatura hipotética: poesias, tragédias, política.
Em última análise subjetiva,
vemos que o autor Antônio Cândido nos transmite a ideia de que levar em
consideração os fatores sociais como formadores da estrutura, da construção de
uma obra, bem como ponderar os fatores psíquicos são fundamentais para a
análise literária. Esses fatores anulam a crítica determinista que generaliza a
obra através de uma versão demasiado ampla. Anulam ainda o estruturalismo
radical que despreza a dimensão histórica dificultando a adequação do
pensamento contemporâneo ante ao enfrentamento dos problemas de que se ocupam.
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